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Por Que Beber Água é da Máxima Relevância?

 

Iniciando a Compreensão da Hidroterapia Pela Homeostasia.

1) Conceitos Elementares.

Explicando como pretendia elucidar a seção acerca da síntese química do corpo humano, o grande fisiologista Arthur Guyton declarou:

Os próximos capítulos tratam do metabolismo do organismo, isto é, dos processos químicos que tornam possível a sobrevivência das células. Todavia, este livro não pretende apresentar os detalhes químicos de todas as inúmeras reações celulares, pois isso pertence a bioquímica. Na verdade, esses capítulos têm por objetivos fazer (1) revisão dos principais processos químicos da célula e (2) análise de suas implicações fisiológicas, principalmente em relação ao modo como esses processos se enquadram no conceito global de homeostasia.[1]

Está considerado de modo claro nesta abordagem que a prioridade dos estudos de fisiologia e da compreensão clínica é sempre o entendimento dos “principais processos químicos da célula e a análise de suas implicações fisiológicas, principalmente em relação ao modo como esses processos se enquadram no conceito global de homeostasia”.

Novamente e sempre, a homeostasia é a chave de toda a compreensão sobre a saúde humana. Por isto Guyton declara:

A beleza da fisiologia é que ela tenta integrar as funções distintas de todas as células e dos órgãos em um todo funcional completo: o corpo humano, ou animal. Na verdade, a vida do ser humano depende desse funcionamento global, e não das funções de partes individuais, completamente isoladas do conjunto. Isso nos leva a outra questão, totalmente diferente. Como é que os diversos órgãos e sistemas são controlados de modo que nenhum deles prevaleça enquanto outros deixam de entrar com suas contribuições? Felizmente, o corpo é dotado de vasta rede de mecanismos de feedback, os responsáveis pelos delicados equilíbrios sem os quais não conseguiríamos viver. Os fisiologistas chamam de homeostasia esse alto nível de controle interno do corpo. Nas doenças, mas do que nunca, esses equilíbrios funcionais ficam alterados – isto é, a homeostasia fica enfraquecida. Quando essa perturbação é excessiva, o corpo como um todo não mais pode sobreviver. Portanto, um dos objetivos principais de qualquer texto de fisiologia médica é explicar e enfatizar a eficácia e a beleza dos mecanismos homeostáticos do corpo, bem como discutir seu funcionamento anormal na doença.[2]

2) A Liberação de Energia dos Alimentos e o Conceito de Energia Livre.

Seguindo o raciocínio iniciado pelo Dr. Guyton, focalizamos nossa atenção nas células, porque é nelas onde ocorrem todos os processos vitais que são unificados somatologicamente e nos mantém vivos.

Temos afirmado em nossos trabalhos que as células são o fundamento de nossos esforços, ou seja, se mantermos as células devidamente saudáveis, poderemos manter todo o corpo em ordem homeostática, mas a perda da vitalidade celular é a perda da saúde total.

Por esta razão avançamos:

Grande parte das reações químicas nas células destina-se à obtenção da energia dos alimentos para os diversos sistemas fisiológicos da célula. Por exemplo, a energia é necessária para a atividade muscular, a secreção glandular, a manutenção dos potenciais de membranas pelas fibras nervosas e musculares, a síntese de substâncias nas células, a absorção de alimentos do tubo gastrintestinal e muitas outras funções.[3]

Atenção a esta afirmativa: “grande parte das reações químicas nas células destina-se à obtenção da energia dos alimentos para os diversos sistemas fisiológicos”.

Somos confrontados com a ideia de que precisamos potencializar nosso comportamento, nossa estrutura de dietética e nossa ação na ingestão de águas com um objetivo claramente definido.

Não pretendemos tratar de como lidar com doenças usando a água, mas pretendemos concentrar neste foco: se a água pode dinamizar a energia corporal, então esta energia se auto-defenderá de todas as dificuldades orgânicas que lhe sobrevierem. Os Terapeutas Naturistas concentram a atenção na potencialização da água para produção energética do organismo e não para tratar de doenças.

E precisamos entender a importância neste contexto de um componente especial e essencial a esta economia orgânica:

O trifosfato de adenosina (ATP) é um composto químico lábil encontrado em todas as células (…) O ATP é encontrado em todo o citoplasma e no nucleoplasma e todas as células, e, praticamente todos os mecanismos fisiológicos que necessitam de energia para operar obtêm-na diretamente do ATP (…)  Por sua vez, os alimentos nas células sofrem oxidação gradual, e a energia liberada é, então, utilizada para reconstituir o ATP, mantendo, assim, um suprimento permanente dessa substãncia; todas essas transferências de energia ocorrem por meio de reações acopladas. Em resumo, o ATP é um composto intermediário que tem a capacidade peculiar de participar de numerosas reações acopladas – reações com o alimento para extrair energia e reações observadas em muitos mecanismos fisiológicos para fornecer a energia necessária para sua operação. Por esta razão, o ATP tem sido considerado como a energia circulante do organismo, passível de ser adquirida e consumida repetidamente.[4]

É crucial fundamentarmos bem esta base de raciocínio, porque entendemos que fora de sua linha de evolução argumentativa não existe qualquer possibilidade de haver cura verdadeira.

Esta linha de raciocínio é tão precisa em seus conceitos que, não é atrevimento afirmarmos que toda doença poderia ser resolvida, se resolvêssemos a questão do equilíbrio da energia circulante em todo o organismo.

Enquanto profissionais de saúde diversos ficam em busca de aliviar dores e atuar em sintomas de desequilíbrios orgânicos, nós Terapeutas Naturistas temos que ter bem claro na mente que o foco de atenção crucial é “a restauração homeostática” e esta restauração não ocorre sem a compreensão de que devemos potencializar ATP ao seu máximo nível de concentração e qualidade.

A busca por substâncias da Natureza que potencializem a produção natural de ATP é o maior de todos os argumentos da Terapia Naturista e que nenhuma outra Escola possui!

3) Como Se Desenvolve a Enfermidade?

Para tratarmos da evolução da enfermidade é preciso que iniciemos nossa avaliação partindo da construção normal e natural do corpo humano, porque a chave do entendimento da questão está exatamente neste ponto, isto é, a enfermidade é uma perda da normalidade funcional orgânica.

Desfocar desta principal ideia, é desviar-se do ponto capital que nos permite entender a cura em sua mais ampla acepção.

Em nosso trabalho “Educação Alimentar” temos esta questão crucial como base de nossas explicações naquele contexto:

Aos setenta anos, uma pessoa com cerca de 1,70m, 70 Kg e atividade moderada, terá ingerido cerca de 45 mil quilos de comida em 77 mil refeições; terá passado cerca de 38 mil horas comendo e haverá introduzido em seu corpo mais de 40 mil litros de água, se bebeu em média 1 ½ litro de água ao dia.

Será que a constatação destes fatos indica porque a qualidade e a quantidade dos nossos alimentos utilizados ao longo da vida afetam profundamente quem somos?

Sob o ponto de vista natural, longe de acidentes, nosso organismo se forma, desenvolve, encontra seu ápice, entra em degeneração e depois morre, conforme somos afetados por substâncias diversas. A qualidade de vida de uma pessoa pode ser identificada pelo tipo de água, de ar, de luz e de outros fatores naturais que a envolvem.

Contudo, precisamos definir, em termos de Terapia Naturista (Naturologia), a chave de toda a compreensão de nossa terapêutica, porque quando atendemos uma pessoa com qualquer uma disfunção orgânica, precisamos ter uma resposta segura e eficaz para ajudá-la a restaurar a sua situação. E sabemos que esta resposta que a pessoa procura não se encontra em frascos de remédios e muito menos em terapias parciais e dicotomizadoras do ser integral.

É com base nesta compreensão que pensamos desta maneira:

Para termos boa saúde, é necessário que tenhamos bom sangue; pois este é a corrente da vida. Ele repara os desgastes e nutre o corpo. Quando provido dos devidos elementos de alimentação e purificado e vitalizado pelo contato com o ar puro, leva a cada parte do organismo vida e vigor. Quanto mais perfeita a circulação, tanto melhor se realizará esse trabalho. A cada pulsação do coração, o sangue deve fazer, rápida e facilmente, seu caminho a todas as partes do corpo. Sua circulação não deve ser estorvada por vestuários ou cintas apertadas, nem por deficiente agasalho dos membros. Seja o que for que prejudique a circulação, força o sangue a voltar aos órgãos vitais congestionando-os.[5]

A característica mais importante da circulação que se deve sempre ter em mente é que ela constitui um circuito contínuo. Isto é, se uma determinada quantidade de sangue for bombeada pelo coração essa mesma quantidade deve também passar através de cada subdivisão respectiva da circulação. Além disso, se o sangue for deslocado de um segmento da circulação, algum outro segmento deve expandir-se, a menos que haja perda de líquido da circulação. (…).[6]

No sangue está a resposta de tudo! Mas precisamos definir claramente o que pretendemos com esta afirmação.

Segundo estes dois textos elucidadores, temos:

  • O sangue é a corrente da vida porque ele repara e nutre todo o corpo;
  • Por isto devemos potencializá-lo corretamente com energias da Natureza (ar, água, terra, luz, etc.), porque nestas energias estão todos os componentes que o sangue precisa para estar bem;
  • Mas, ter um bom sangue, sem ter uma boa circulação não adianta em nada, portanto temos que unir estas duas questões no entendimento primário de todos os tratamentos que fazemos, isto é, temos que melhorar a condição do sangue humano e fazê-lo circular livremente em todo o corpo da pessoa.

O que temos então que perguntar é:

– O que faz nosso sangue perder sua devida qualidade?

– O que impede a boa circulação de nosso sangue?

As respostas para estas duas perguntas é tudo que um Terapeuta Naturista deve saber sobre “como identificar o problema das pessoas; porque se estas duas questões estiverem em ordem em um corpo, não existirá enfermidade e a pessoa terá o máximo de vitalidade que for possível ter nesta vida.

Então é oportuno concentrarmos nossa atenção neste texto a seguir:

O sangue é um líquido viscoso que circula no interior do sistema dos vertebrados. Tem importância em todos os setores da medicina, pois é através dele que as substâncias vitais atingem os órgãos e os tecidos. A mais importante dessas substâncias, o oxigênio, é carregada pelas células vermelhas fixadas à hemoglobina.

O sangue é composto de duas partes: o plasma e os elementos figurados. O plasma é o transportador de todas as substâncias de nosso corpo, levando-as aos lugares onde devem agir, para nutrir, estimular ou deprimir. Também circulam nele os hormônios, encarregados de manter os vários órgãos em funcionamento equilibrado.

Do ponto de vista hematológico, é o plasma o encarregado de manter o sangue fluido na circulação e contribuir para sanar rapidamente qualquer lesão que surja no sistema cardiovascular, através da ação de alguns de seus componentes.

Os elementos figurados são divididos em três grupos bastante distintos: os leucócitos, que são células semelhantes em seus componentes às demais células do organismo; os eritrócitos, que não exibem núcleo e mostram morfologia e vias metabólicas diferentes das demais células do corpo; e as plaquetas, que não são células, mas fragmentos celulares com grande atividade metabólica.[7]

Dois pontos são relevantes neste importantíssimo texto:

  • O oxigênio é a mais importante de todas as substâncias que sazonam em nosso corpo; e,
  • Nosso plasma é o responsável por movimentar todas as substâncias em nosso organismo.

Como já foi discutido anteriormente, o fornecimento de oxigênio a um órgão ou tecido é diretamente proporcional ao fluxo sanguíneo, à concentração da hemoglobina e à diferença na saturação do oxigênio entre o sangue arterial e venoso.[8]

A saúde de uma pessoa depende de fato destas duas questões que aqui temos identificado:

  • O fluxo sanguíneo é exatamente a circulação sanguínea que deve ser bem suprida de oxigênio;
  • O sangue deve possuir boa quantidade de hemoglobina, porque é esta substância, presente no sangue, que irá levar o oxigênio até as células de todo o organismo – portanto a qualidade da saúde de uma pessoa está diretamente casada a este ponto; e,
  • A quantidade de oxigênio entre o sangue que passa pelas nossas artérias (que nutre o corpo) e o sangue que passa pelas nossas veias (que depura o corpo), deve ser equilibrada naturalmente por nossa homeostasia.

Qualquer situação, coisa, produto, atitude, metodologia, negócio ou qualquer invenção que atrapalhe esta situação é perversa, não promove a saúde e deve ser combatida pelos Terapeutas Naturistas.

É desta compreensão que nasce a afirmativa whiteana que nos estabelece como uma Ciência Médica de origem celeste e com o selo de Deus:

Ar puro, luz solar, abstinência, repouso, exercício, regime conveniente, uso de água e confiança no poder divino – eis os verdadeiros remédios. Toda pessoa deve possuir conhecimentos dos meios terapêuticos naturais, e da maneira de os aplicar. É essencial, tanto compreender os princípios envolvidos no tratamento do doente, como ter um preparo prático que habilite a empregar devidamente este conhecimento. O uso de remédios naturais requer certo cuidado que muitos não dispostos a exercer. O processo da Natureza para curar e construir é gradual, e isso parece vagarosos ao impaciente. Demanda sacrifício e abandono das nocivas condescendências. Mas no fim se verificará que a Natureza, não sendo estorvada, faz seu trabalho sabiamente e bem. Aqueles que perseveram na obediência a suas leis, ceifarão galardão em saúde de corpo e alma.[9]

Existem muitos meios de praticar a arte de curar, mas só existe um meio que o Céu aprova. Os remédios de Deus são os simples agentes da Natureza que não sobrecarregam nem debilitam o organismo por causa de suas propriedades energéticas. O ar e a água puros, o asseio, o regime alimentar apropriado, a pureza de vida e a firme confiança em Deus são os remédios por cuja falta milhares estão perecendo; todavia esses remédios estão caindo em desuso, porque seu hábil emprego requer trabalho que o povo não aprecia. Ar puro, exercício, água pura e moradia limpa e aprazível, acham-se ao alcance de todos, com apenas pouca despesa; as drogas, porém, são dispendiosas, tanto no gasto do dinheiro, como no efeito produzido no organismo.[10]

O que tem sido chamado de “medicina ou terapia tendenciosa ao Deus cristão”, por gente desinformada acerca dos grandes e verdadeiros valores do cristianismo ideal, é na verdade, uma claríssima medicina científica e calçada na Natureza e não em teorizações de pessoas que abdicam o verdadeiro Deus para postarem-se como deuses no lugar dEle e pretenderem resolver questões de inacessível transcendência!

As Leis Naturais são poderosas se forem obedecidas, mas quem transgredi-las, colherá naturalmente do fruto de suas escolhas. A Divindade não é responsável pelas desgraças humanas, a Divindade, pelo contrário, é como disse o salmista:

O Senhor é a minha força e o meu escudo; nEle confiou o meu coração, e fui socorrido; pelo que o meu coração salta de prazer, e com o meu cântico o louvarei. O Senhor é a força do seu povo; Ele é a fortaleza salvadora.[11]

Parece estranho que estejamos falando disto no meio de uma matéria tão técnica que estava lidando com plasma e oxigênio?

Para quem não percebe a grandiosidade da Naturologia sim, mas para nós, a verdade é que:

No ministério da cura, o medico tem de ser um cooperador de Cristo. O Salvador assistia tanto à alma como ao corpo. O evangelho por Ele pregado era uma mensagem de vida espiritual e de restauração física. O libertamento do pecado e a cura da doença estavam ligados entre si. O mesmo ministério é concedido ao médico cristão. Ele se deve unir a Cristo no aliviar tanto as necessidades físicas como as espirituais de seus semelhantes. Cumpre-lhes ser para o enfermo um mensageiro de misericórdia, levando-lhe um remédio ao corpo doente e à alma enferma de pecado. (…) Ao mesmo tempo que emprega remédios naturais para a moléstia física, o médico deve encaminhar seus doentes Àquele que pode aliviar tanto os males da alma como os do corpo. Aquilo que os médicos só podem ajudar a fazer, é realizado por Cristo. Eles se esforçam por auxiliar a operação da Natureza na cura; quem cura é o próprio Cristo. O médico busca conservar a vida; Cristo a comunica.[12]

É por esta razão que concentro a questão em poucos pontos!

Em nosso trabalho sobre Educação Alimentar temos defendido a idéia de que a enfermidade se desenvolve na vida humana porque as pessoas estão sob o impacto de dois poderes ruins: a intoxicação orgânica e o vazio existencial.

A mente humana sem Deus, sem o lenitivo da certeza de que a Pessoa de Deus nosso Pai através de Seu Filho Unigênito, entra em depressão psicológica (comportamental), e a pessoa pensa coisas ruins, torna-se egocêntrica. Este tipo de pensamento leva a pessoa a abandonar a sua própria vida ao acaso e não submete-se as Leis Naturais de forma racional e consciente. Porque é claro que Leis Naturais não são obra do acaso! Leis são princípios morais e éticos determinados por um Legislador!

O comportamento anti-vida de milhões de pessoas, por sua vez, cria uma imensa onda de destruição social que nos trouxe a este mundo onde o Dr. Márcio Bontempo conseguiu identificar sabiamente:

Hoje presenciamos a hegemonia da quantidade e do número em detrimento da qualidade e intensidade. (…) O corpo humano deve ser entendido como um sistema de sistemas interdependentes que, para manter seu equilíbrio biológico e sua conexão com as Leis Naturais, necessita ser nutrido com um combustível condizente com as exigências do complexo bio-vital-molecular. Se existir um agente que interfira neste mecanismo perfeito de trocas, haverá, inevitavelmente prejuízo das funções. (…) Fato digno de nota é a condição do sangue do homem moderno; muito ácido, bastante viscoso, pobre em oxigênio, carregado de toxinas e excesso de gorduras, remédios e minerais como cálcio e sódio. (…) Perdeu-se no tempo o conceito da importância de uma dieta mais simples, frugal, natural e suficiente. (…) A condição dos intestinos do ser humano é decididamente caótica, apresentando putrefações focais ou amplas permitindo assim que o sangue assimile cronicamente cargas tóxicas que serão distribuídas por todos os tecidos e células.[13]

O Dr. Eduardo Alfonso, outro grande mestre da Naturologia, explica:

Como se Forma a Enfermidade no Ser Humano? Se forma rompendo a harmonia da nossa vida pela desobediência das leis naturais. Como se rompe esta harmonia? Por um destes cinco pontos:

1- Excitação da energia individual, obrigando-a a gastar-se em quantidade maior que a que a lei natural lhe permite em determinado tempo. A este resultado se chega com o uso de excitantes artificiais como álcool, café, medicamentos tóxicos, etc., ou deixando-se levar pela sensualidade, baixas paixões ou concupiscência;

2- Pela diminuição daqueles atos em que se deve encontrar normal emprego da energia individual em determinado tempo. A este resultado se chega pela vida sedentária e ociosa, com seu conseguinte retardamento nutritivo e desgaste anormal das energias nervosas;

3- Obrigando o organismo a receber energias cósmicas em quantidade maior ou e quantidade diferente àquela que por lei natural lhe corresponde em determinado tempo. A este resultado se chega por comida excessiva, a ingestão de alimentos impróprios ou tóxicos, pelo vício de fumar, etc.;

4- Pela diminuição do aporte de energias cósmicas que correspondem ao organismo em determinado tempo. A este resultado se chega pela comida escassa, a falta de ar e sol, etc.;

5- Tratando de obter o máximo produto da vida de nossos semelhantes e negando-lhes a nossa ajuda. A este resultado se chega em todas as manifestações egoístas da vida, que apenas gera o prejuízo para aquele que as fazem.

O resultado final destes excessos e faltas, tanto em qualidade como em quantidade, é a diminuição da vida, o rebaixamento da vitalidade e o acúmulo de substâncias morbosas em nossos humores e órgãos.

Quando chega o momento certo, surge a enfermidade ou a crise defensiva, destinada a restabelecer a harmonia, e das duas uma: (a) ou o organismo vence se sua energia vital é suficiente; (b) ou o organismo sucumbe na luta.[14]

4) O Que a Hidroterapia Pode Fazer Para Restaurar a Saúde Humana?

O potencial curativo da água só perde em essencial importância ao uso do ar que, se nos faltar por mais de dois minutos leva-nos uma lesão que pode ser definitiva.

O que há de extraordinário na água?

Um poder que somente o Criador do Céu e da Terra poderia conceber!

As impurezas do corpo, se não se permitir que saiam, são devolvidas ao sangue e impostas aos órgãos internos. A Natureza, para aliviar-se das impurezas tóxicas, faz um esforço por livrar o organismo – esforço que produz febres, e que se denomina doença. Mas mesmo então, se os doentes ajudassem a Natureza em seus esforços, mediante o uso de água pura, branda, muito sofrimento seria evitado. Muitos, porém, em vez de isso fazer e procurar remover do organismo a matéria tóxica, nele introduzem um veneno mais mortífero, para em tóxico já ali presente.[15]

Veremos que esta verdade se confirma na relação entre a teoria e na prática, e que a água pura, com a temperatura adequada, sozinha, é capaz de restaurar completamente todo processo de desintoxicação do nosso organismo. E esta medida favorecerá a correta revitalização e a restauração do corpo, que são processos posteriores à este.

O corpo humano sadio mantém normal e uniforme estabilidade fisiológica dentro de suas partes componentes, e entre elas – uma condição conhecida por homeostase. A fim de preservar esta condição homeostática, o organismo precisa ajustar-se continuamente às influências ambientais. Vários fatores relativos ao ambiente influenciam os processos fisiológicos dentro do corpo humano. Incluem as mudanças das estações do ano, a temperatura, a pressão atmosférica, as chuvas, a luz solar, as diversas radiações, o vestuário, o abastecimento de água e de alimento, e as condições sociais.

Mills declarou que a facilidade com que o organismo pode perder calor, exerce definido efeito sobre várias funções do corpo, como o crescimento e a reprodução, a produção de anti-corpos, a resistência à infecção, o metabolismo da energia e até a atividade mental.

Na hidroterapia o ambiente do corpo é alterado por meio da água em diferentes graus de temperatura e aplicada por várias formas mecânicas. Por via de regra, as reações fisiológicas são diretamente proporcionais à extensão das modificações ambientais.

Se um enfermo, ou qualquer outra pessoa, for colocado num recipiente cheio de água a 36° C, haverá o mínimo de reações fisiológicas. Em verdade, semelhante banho tem um efeito sedativo por sua falta de estimulação dos processos fisiológicos.

Por outro lado, se colocarmos o mesmo indivíduo num recipiente com água a 43°C, manifestar-se-ão imediatamente acentuadas alterações fisiológicas. A pele se torna avermelhada., a pulsação é aumentada, a temperatura se eleva, o metabolismo é acelerado, o sangue se torna mais alcalino e os leucócitos aumentam em número. Nalgumas pessoas há perceptível excitamento nervoso. Em vinte minutos, a temperatura do corpo poderá atingir 40°C a 40,5°C, e a pulsação , cerca de 160 batidas por minuto. Felizmente, a água é um agente terapêutico extremamente versátil, de modo que a reação fisiológica pode ser modificada à vontade, alterando a temperatura e o impacto mecânico. É evidente que por meio de processos hidroterápicos podem ser produzidas modificações fisiológicas realmente mensuráveis. Sem dúvida, esta é a razão porque a hidroterapia, apesar de ser um dos agentes terapêuticos mais antigos, ainda é tida como importante pelos que estão familiarizados com a sua aplicação.[16]

Daqui que podemos visualizar claramente a definição de hidroterapia: é o uso da água em qualquer uma de suas três formas: sólida, líquida ou gasosa. Quer de modo interno ou externo ao corpo, para o tratamento dos desequilíbrios homeostáticos que provoquem a enfermidade ou em casos de traumatismos.

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[1] GUYTON, Arthur C. Tratado de Fisiologia Médica. Editora Guanabara Koogan. Rio de Janeiro. 1991. p, 654.

[2] GUYTON, Arthur C. Tratado de Fisiologia Médica. Editora Guanabara Koogan. Rio de Janeiro. 1991. p, Prefácio.

[3] GUYTON, Arthur C. Tratado de Fisiologia Médica. Editora Guanabara Koogan. Rio de Janeiro. 1991. p, 654.

[4] GUYTON, Arthur C. Tratado de Fisiologia Médica. Editora Guanabara Koogan. Rio de Janeiro. 1991. p, 654.

[5] WHITE, Ellen Gould. A Ciência do Bom Viver. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP. 1997, p. 271-272.

[6] GUYTON, Arthur C. Tratado de Fisiologia Médica. Ed. Interamericana. Rio de Janeiro, RJ. 1977, p. 197.

[7] MARCONDES, Marcelo & Outros. Clínica Médica – Propedêutica e Fisiopatologia. Ed. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, RJ. 1979, p. 416.

[8] BRAUNWALD, Eugene. Tratado de Medicina Cardiovascular. Ed. Roca. São Paulo, SP. 1991, p. 1825.

[9] WHITE, Ellen Gould. A Ciência do Bom Viver. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP. 1997, p. 271-272.

[10] WHITE, Ellen Gould. Conselhos Sobre o Regime Alimentar, 301. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP. 1965. Pág. 301.

[11] Salmo 28:7-8.

[12] WHITE, Ellen Gould. A Ciência do Bom Viver. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP. 1997, p. 111.

[13] BONTEMPO, Márcio. Relatório Órion. L&P Editores. Porto Alegre, RS. 1985, p. 13, 14.

[14] ALFONSO. Eduardo. Medicina Natural em Cuarenta Lecciones. Editora Kier, Buenos Aires. Argentina, 1992. p, 114-115. (Tradução livre).

[15] WHITE, Ellen Gould. Conselhos Sobre Saúde. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP. 1998, p. 61-62.

[16] MOOR, Fred B. & Outros. Manual de Hidroterapia e Massagem. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP, 1966, p.13-14.

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